2 de julho de 2011

Memórias Póstumas (2001) - Papel & Película (Coluna)


120 anos separam a publicação original de Memórias Póstumas de Brás Cubas, obra inaugural do Realismo no Brasil, e sua versão cinematográfica. Quando Machado de Assis concebeu o defunto-autor, o cinema sequer existia. E, com a evolução da arte cinematográfica, foi possível passar para as telas de maneira fiel este romance fundamental da nossa literatura.

Em 1967 já havia sido rodada uma versão experimental, batizada de Viagem ao Fim do Mundo, em que a compra do livro em uma banca dá início à tal viagem. Em 1985 foi feita outra adaptação, estrelada por Luís Fernando Guimarães. Além disso, a obra já virou história em quadrinhos e ganhou versões para conquistar os jovens leitores, como “O Voo do Hipopótamo” e “Memórias Desmortas de Brás Cubas”, este com direito a Brás-zumbi e tudo mais.

Para a felicidade geral de estudantes que preferem assistir a ler, esta versão é bastante similar ao livro. Brás (Reginaldo Faria) narra toda sua vida depois de morto, com a franqueza e a ironia fina contidas na obra escrita. Várias falas são, inclusive, idênticas, incluindo a que eu considero emblemática: “Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis”.

Com uma boa reconstrução de época, Memórias Póstumas mostra que não é preciso atualizar o enredo para conquistar o público. O clima é o mesmo do romance, e um elenco de ponta ajuda a dar credibilidade à produção ganhadora de cinco prêmios no Festival de Cinema de Gramado. Além do já citado Reginaldo Faria, temos ainda Petrônio Gontijo (Brás Cubas jovem), Sônia Braga (Marcela), Otávio Muller (Lobo Neves), Milena Toscano (Eugênia, a moça coxa) e Marcos Caruso (Quincas Borba), todos nomes conhecidos do grande público.

Com bom gosto e maestria, foi possível criar esse filme que deixa por um bom tempo em nossas memórias (bem vivas, não póstumas) imagens significativas, a exemplo do onírico voo de Brás no hipopótamo. Crítico e cômico, Memórias Póstumas é Machado de Assis e o cinema brasileiro em seu melhor momento.

Abraços a todos, Lê.


Letícia

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