6 de junho de 2011

O Homem que Calculava (Malba Tahan) - Crítica / Resenha


Escrever uma história pedagógica sem que esta fique tediosa para o público juvenil é um desafio e tanto, mas esse problema é contornado pelo estilo literário simples e pelos curiosos problemas matemáticos resolvidos pelo matemático Beremiz, personagem principal do livro de Malba Tahan, que desempenha o papel de publicitário da matemática para jovens.

O livro basicamente se desenvolve no crescimento de Beremiz em razão de sua habilidade genial com os números. Idealizadamente, o matemático modesto mas confiante em suas aptidões resolve todos os problemas apresentados diante dele com desenvoltura e explicações, já que a obra tem caráter pedagógico, acompanhadas de desenhos e diagramas que facilitam o entendimento do leitor.

A obra é um material de aprendizado bem interessante pois expõe vários probleminhas clássicos de matemática simples que envolvem, sobretudo, raciocínio lógico, tornando-o um bom mecanismo para a compreensão de uma ciência que por muitos é tida como distante da realidade prática. Todos os cálculos do livro surgem no cotidiano, Beremiz não resolverá problemas de números complexos ou se utilizará de log de 30 na base 10 (coisa que eu não compreendo mais) e sim irá expor aquelas dúvidas de lógica que podem se apresentar no nosso dia-a-dia e que são consagradas pelos concursos.

Basicamente pode-se dizer que o livro mostra a matemática importante para qualquer jovem, ainda que sua pretensão seja cursar história ou se tornar sargento do exército os cálculos e o raciocínio apresentados no livro continuam extremamente válidos enquanto ferramentas para despertar o interesse. 

O problema que Beremiz e Tahan, seu criador, não conseguem resolver com competência é tornar a obra convidativa o suficiente para desinteressados por completo na "ciência dos números", o livro torna-se incômodo para aqueles que não tenham interesse nos problemas de cálculo. O motivo para isso é bem simples; a história é só um pano de fundo para a matemática.

Nem o narrador, nem o protagonista e nem qualquer outro personagem são trabalhados o suficiente para gerar a identificação do leitor, todos ficam superficiais afinal eles desempenham o papel de ferramentas para a exposição dos curiosos problemas matemáticos. Aliás a conectividade entre um e outro caso que será resolvido por Beremiz por vezes não convence e você logo percebe que Tahan forçou uma situação em busca de abrir o ensejo para a próxima demonstração das habilidades do calculista.

Todavia não se pode condenar a obra por isso, Tahan consegue escrever um livro com o poder de despertar a quem possui um interesse latente e isso já é por si só muito bom, sua narrativa pode não ser maravilhosa mas atende a demanda necessária ao objetivo.

Certamente este não é o livro que irá fazer todos os jovens se interessarem por matemática, os que realmente não gostam provavelmente nem pretenderão concluí-lo, mas ele consegue aliar uma boa dose de diversão e aprendizado para aqueles que já se encantam com a matéria em suas diversas aplicações prosaicas e um pouco mais sofisticadas.



[3 de 5]


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