15 de junho de 2011

A Garota da Capa Vermelha (Sarah Blakley-Cartwright) - Crítica / Resenha


A Garota da Capa Vermelha é um romance onde podemos observar até alguns detalhes que nos remetem ao antigo conto infantil, como uma menina, uma capa vermelha, uma avó e... Um lobo. Entretanto, é uma história bem marcante onde os personagens não são idealizados e perfeitos, percebemos ao longo do texto em suas descrições e pensamentos que eles são próximos do real, onde há qualidades, mas seus defeitos são bem evidentes. Não há aquele que é totalmente bom e nem o inverso. Ou seja, “deu a louca” na Chapeuzinho Vermelho!



A princípio, o que me chamou atenção foi a classificação feita tanto na Revista Veja quanto na Época como Literatura Infanto-Juvenil, porém eu já havia visto comentários sobre o livro e resolvi ler assim mesmo. Não me arrependi, pois agora posso dizer que as duas revistas estão equivocadas, Juvenil ele pode até ser, mas Infantil (!) está muito distante disso. Digo isso, visto que em meio à história podemos ver descrições cruéis e horrendas de mortes (o que dá um tom totalmente gótico ao texto), torturas de arrepiar, alusão sexual (só umas pegações na verdade! Rss...),além disso o elenco de personagens é bem maduro e deste quase todo morre com sangue jorrando para todo lado (Kkk... Olha eu quase querendo já contar o melhor da história!). Sério, tive vontade de voltar às páginas para fazer a contagem das vítimas! 

Mas calma! A Garota da Capa Vermelha tem um pouco de romantismo sim e como não poderia faltar há um bom e velho triângulo amoroso (Valerie – Peter – Henry). O livro possui três partes, por sinal a primeira é bem monótona e se arrasta relatando parte da infância da Valerie, protagonista do conto, porém tem certa importância devido a alguns fatos que acontecem. As outras duas são mais empolgantes, pois Valerie já é uma adolescente muito madura por sinal.

Valerie é uma garota bonita que não se acha a tal, para mim ela até precisaria melhorar a sua auto-estima, pois ela idolatra demais sua irmã Lucie. Ela vive em Daggorhorn, uma pacata aldeia que vive a sombra do medo de um Lobo. A cada lua cheia, um animal é posto em sacrifício a fim de evitar que a fera se volte contra os moradores do local. Quando Valerie era menina (Primeira parte), sua cabrita foi levada pelo pai ao altar de sacrifício, entretanto inconformada com o fim de seu animalzinho, partiu às escondidas na noite na tentativa de resgatar sua Flora. Antes que ela conseguisse fazer o resgate, ele apareceu, o Lobo. Foi o primeiro momento que seus olhos se encontraram e desta vez ela foi poupada. Sorte que sua irmã Lucie não teve. Na segunda parte, o corpo de sua irmã é encontrado no campo de trigo com misteriosas marcas de garras em sua carne. A partir desse episódio nefasto a “paz” entre a criatura e aldeia foi rompida. Nesse ínterim, Valerie está ocupada com a possibilidade de fuga com o seu amor Peter, o lenhador e o casamento arranjado pelos pais com Henry, o ferreiro, mas após a morte de sua irmã torna-se imprescindível descobrir a verdadeira identidade do Lobo. O que será uma questão de sobrevivência para todos da aldeia e para Valerie, saber quem foi ‘’o’’ ou ‘’a’’ responsável pela morte de Lucie e ao mesmo tempo descobrir quem está falando a verdade, descoberta essa que mudará seu destino para sempre. 

A Valerie é uma personagem bem diferente das que conheci no mundo dos livros, onde as heroínas na maioria das vezes são apenas inseguras, entretanto na narração do livro observamos que ela demonstra um bom coração com a supervalorização da irmã, mas às vezes ela não era nada altruísta e sente raiva até mesmo de seus pais e possui momentos de revolta em relação à complacência da aldeia em relação às mortes. No conto há poucos momentos com cenas cômicas, ao contrário é até um romance bem tenso, exceto pelo momento da clássica: “Que olhos grandes você tem...”

Traições, inveja, tabus, romance, segredos, decepções. Acredito que não há como não gostar desse livro, pois ele tem de tudo um pouco. Todo o mistério que há nos faz desconfiar de todos, mudamos de idéia o tempo inteiro sempre na tentativa instigante de desvendar a verdadeira identidade do Lobo.

Outro ponto interessante é que o roteiro foi escrito por David Leslie Johnson baseado numa idéia de Leonardo Di Caprio e foi Sarah Blakley-Cartwright que criou essa versão sombria e com mais profundidade da clássica história. E tem mais uma, o livro tem vinte e nove capítulos com um final aberto, mas... Dá para matar a curiosidade no site www.editoraid.com.br/agarotadacapavermelha e ver o verdadeiro final da história de Valerie.

E como se diz: Acredite na lenda, cuidado com o Lobo!!!

Bella:)



[4 de 5]



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