18 de junho de 2011

Dos Livros Para As Telas: Um Caminho Natural - Papel & Película (Coluna)


1895. Nasce o cinema. Até o final daquele século, os pioneiros franceses Lumière e Mèlies e o americano Thomas Edison registrariam cenas do cotidiano com suas máquinas primitivas e assombrariam as plateias. Logo perceberam que aquela nova invenção era um ótimo veículo para contar histórias. E a fonte primeira de enredos foram os livros. Já em 1899 Mèlies nos apresentava uma versão de Cinderela. Três anos depois, ele levaria a cabo um projeto ambicioso: o primeiro filme de ficção científica, com surpreendentes 12 minutos de duração, “Viagem à lua”, inspirado no livro “Da terra à lua”, de Júlio Verne.


Mesmo que com o tempo o roteiro cinematográfico tenha se desenvolvido como uma atividade independente, adaptações de livros para o cinema continuam presentes. Adaptações que não agradam a todos os leitores, que mostram novas maneiras de se interpretar o texto, que levam um livro ao conhecimento do público.

Transportar um livro para o cinema não é tarefa fácil. As descrições são transformadas em cenário e figurinos. Diálogos são modificados, reescritos ou inventados. Personagens secundários desaparecem, trechos inteiros são esquecidos. Espremer mais de 300 páginas em cerca de duas horas é missão (quase) impossível. Todo o esforço imaginativo feito por uma única mente no momento da leitura é dividido no esforço criativo de dezenas de mentes especializadas da equipe técnica.

O sucesso às vezes é tanto que o filme acaba muito mais famoso e acessível que sua versão em papel. De fato, não é fácil conseguir os textos que deram origem a grandes produções como “E o vento levou” (1939), “Ben-Hur” (versões em 1907, 1925 e 1959, além de desenhos animados), “O falcão maltês” (1941), “Bonequinha de Luxo” (1961), “ A Bela da Tarde” (1967) ou “Meninos do Brasil” (1976).

Se lá fora os livros servem de inspiração para diversos roteiros célebres, no cinema nacional esse fenômeno é ainda mais forte. Desde os primeiros tempos os cineastas brasileiros encontraram na nossa rica literatura ótimas histórias, dignas de serem contadas na tela grande. Em 1915 foram feitas as primeiras adaptações: A Viuvinha, de José de Alencar, e Inocência, do Visconde de Taunay. Os grandes clássicos foram as primeiras obras a serem adaptadas. Até hoje muito da safra cinematográfica nacional tem origem nos livros. 

Além de despertar a curiosidade dos que já conhecem a obra, as adaptações levam muitos espectadores ao livro. A cada ano serão ainda lançados muitos filmes inspirados em livros, sejam estes romances melosos, sagas, trilogias, best-sellers ou fadados a desaparecer com o tempo. Às vezes, vai-se o papel, fica a película.
 
Abraços.


Letícia

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