25 de junho de 2011

Deixa Ela Entrar- Cinefilia Literária (Coluna)


Este filme sueco de 2007, baseado em um romance de John Ajvide Lindqvist, também responsável pelo roteiro, traz certo frescor a um tema por tantas vezes visto no cinema, mas sem desvirtuá-lo, o que o engrandece de maneira positiva, pelo menos para @s amantes de toda a simbologia ligada ao vampirismo.


O tema é tratado dentro do universo infanto-juvenil, pois, acompanhamos Oscar, um garoto de 12 anos que enfrenta problemas tanto na escola quanto em casa, na escola ele sofre o abuso dos colegas que tentam fazer dele alvo de pancadas e em casa, tendo os pais separados, percebemos que ele é uma criança solitária que passa boa parte do tempo colecionando recortes de jornais a respeito de crimes violentos.

É nesse estado de coisas, que Oscar conhece Eli, garota que também tem 12 anos, porém a bem mais tempo... Ela compartilha com Oscar certos hábitos e atitudes e com o passar do tempo os dois se aproximam cada vez mais.

De uma maneira suave, sem atropelos ou precipitações, essa história é contada, dando ênfase à relação peculiar dos dois jovens, mas sem esquecer os elementos de horror inerentes a bons filmes desse gênero.

Então não somos poupad@s (e nem queremos!) de cenas sangrentas e/ou assustadoras, também não ficam de fora elementos já clássicos, entretanto, modificados aleatoriamente em outros filmes beirando à “heresia”, como os fatos de vampiros só poderem sair à noite ou adentrar em residências quando convidad@s, tudo isso e mais vemos neste filme e não deixa de emocionar.

Há diversas sutilezas no roteiro e “pistas” que podem mudar totalmente o entendimento de uma pessoa para outra, cabendo a cada um/cada uma avaliar por si.

Como por exemplo, em se tratando do homem que convive e “alimenta” Eli, nunca temos a certeza se ele é realmente o pai dela, particularmente acredito que não seja, por diversos indícios, pode-se concluir que ele tenha sido alguém com papel similar ao de Oscar.

No geral, foi realizada uma obra incomum, com exímia maestria tanto do Diretor Thomas Alfredson, quanto do roteirista John Lindqvist, adaptando seu próprio livro. Não é apenas um filme de vampir@s, ou sobre a transição da infância para a adolescência, nem tão pouco apenas sobre solidão, todos esses fatores são vistos, identificados, tratados, mas por uma ótica diversa e peculiar, nunca se perdendo pela mesmice ou carência de criação, algo tão comumente difícil em nossos dias. Vale ser visto e revisto!

Nota: há uma recente versão estadunidense chamada Deixe-me entrar, não confundir.


Ficha técnica:
Livro escrito por: John Ajvide Lindqvist
Direção: Tomas Alfredson
Roteiro: John Ajvide Lindqvist
Elenco: Kåre Hedebrant, Lina Leandersson, Per Ragnar, Henrik Dahl, Karin Bergquist, Peter Carlberg.




8 comentários:

  1. Hmmm, o ajudante da garota realmente deve ser uma espécie de "Oscar", muito bem percebido, assisti e isso passou completamente batido.

    De maneira geral muito bom o texto "Elisangela" (rsrs)

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  2. Ahhhhh "Ewerton" :) muito obrigada...

    Pois eh, fiquei com essa impressão sobre o "ajudante" de Eli na cabeça e acabei ficando triste pelo provável destino de Oscar...

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  3. Muito legal o post. Principalmente para ajudar na divulgação deste filme.
    Aqui mesmo em Recife, ele ficou restrito a cinemas mais especializados e não atingindo o grande público (ou multiplexados! kkkkk) Eu acho que o problema com este público é bilateral: eles assistem as bombas que os multiplexes oferecem e os multiplexes oferecem as bombas que eles querem assistir. Mas havendo filmes bons disponíveis, as pessoas vão assistir. Digo isso pq conheço alguns cidadãos que foram assistir o remake americano recente deste filme, jurando que era cinema de vampiro no sentido twilight da coisa! eheheh E foram surpreendidos pois parece que o remake foi muito bem realizado e respeitou a obra original. Então vejam, estas mesmas pessoas vieram me falar com entusiasmo que o filme americano era >maravilhoso<, mas desconheciam COMPLETAMENTE a existência do aclamado filme original que a Elisangela apresentou neste post.

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  4. Por incrível que pareça, assisti ambas as versões e preferi a americana...
    Em vários aspectos. Desde a relação entre os dois e a forma como o conflito e "bullying" sofrido pelo "Oskar", os efeitos e a certeza que ela não tem/teve um pai. Aquele que cuida dela, foi também alguém que ela conhecera ainda criança... Certamente, algo mais mastigado e explicado para o público estadunidense. Eu sempre uso esse filme como referência àqueles que curtem "Crepúsculo" e outras deturpações do mito do vampiro. Sempre digo, que essa sim é um filme de amor, entrega e abnegação em um relacionamento entre humano e vampiro. E não aquela viadagem fru-fru de vampiro de brilha feito purpurina no sol e fica se alimentando de sangue de animais, só pra citar alguns absurdos que me embrulham o estômago, só de lembrar...
    Em ambas as versões, vemos o que é o despertar do amor e doação total a esse sentimento, e isso entre um humano e um vampiro...
    Excelentes filmes, tanto a versão sueca quanto a estadunidense.

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  5. Ahhhhhhhhhh adoro opiniões:)...Vamos às respostas:

    Roddy, agradeço pelo elogio, confesso que gosto demais deste filme e como vc mesmo citou em outro espaço, talvez esse fato acabe ajudando na crítica em si, pelo menos na minha, hehehehehehe, obrigada por isso tb...

    Adorei a expressão "multiplexados", define realmente esse público, quanto a tais criaturas previlegiarem certos tipos de filmes devido a um ciclo vicioso, naum sei se posso concordar com vc, fui testemunha de acontecimento curioso certa vez.

    Numa semana dedicada aos melhores filmes eleitos por crític@s de certo ano, com direito à debate no final das sessões e ampla divulgação pelos meios costumeiros, não havia praticamente ninguém, mas o responsável na epóca pelo multiplex em questão, estava lá e foi perguntado pq naum havia mais espaço para filmes de "arte" na programação, sem titubear ele respondeu que como tod@s @s (08) presentes poderiam notar, aquele tipo de filme não atraía grande público e como o cinema dele vivia de lucros, organizar aquela semana especial e ainda ter um horário reservado durante todo o ano era algo que ele fazia além de suas obrigações... :(

    Entaum sinceramente, por essa e outras tantas, continuo acreditando que a disposição desse público seja muito mais para o entretenimento em si do que para o Cinema como a arte que é!

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  6. Agora Rodrigo Braga...

    Bem, juro que naum tinha (tenho) vontade de ver a versão estadunidense, mas jah que vc está afirmando ser boa, estou pensando seriamente em vê-la...

    Adianto que quando vc diz que essa versão traz tudo mais mastigado, me desespero só em pensar... hehehehehe... Que Drama! Mas é (quase) verdade, continuo a não concordar com a existência de algo idêntico, sendo que de outro País, como bem sabemos, o público dos EUA não gosta de filmes legendados, dessa forma temos aí esse outro, sinto por quem assistiu primeiramente a versão e depois o original...Um bom filme no meu entender, não precisa ser totalmente explicado e sim muito mais sentido.

    Ainda assim, como disse no início talvez veja a versão devido às boas referências.

    Por fim, agradeço aos dois comentadores pelas opiniões! Abs...:)

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  7. tsc tsc tsc eu vi a amricana putz!!
    sei nao mafal

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  8. Mas saquei o lance do ajudante, afinal são finitos, e vampiros...
    bjuNGC

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