16 de maio de 2011

Watchmen - Crítica


Quem tem um conhecimento ligeiramente mais profundo de quadrinhos sabe que duas hqs de super-heróis foram marco em termos de qualidade narrativa nos EUA. Uma é "O Cavaleiro das Trevas", história assinada por Frank Miller que conta um futuro alternativo do homem morcego (não, ela não inspirou o filme). A outra é Watchmen de Alan Moore.

Watchmen tem uma proposta simples, questionar o que significa ser um vigilante (sinônimo de herói neste caso) e mostrar quais as implicações da ação destes homens e mulheres se eles realmente existissem. O pressuposto é mais claramente expresso pela pergunta "Quem vigia os Vigilantes?", afinal em um mundo de seres poderosos e capazes do destruí-lo o que garantiria a honradez de suas ações e sua ética, questão essa que chega ao seu ápice na polêmica decisão que finda a obra.

A hq de Moore é sinônimo de qualidade e referência para os amantes de quadrinhos com super-heróis, não raramente é usada para demonstrar que as hqs também podem ser arte, e de fato a profundidade da história adulta e os temas sociológicos e psicológicos que ela sustenta justificam todos os elogios.

Moore sabe bem retirar do gênero as suas falhas e vícios escondidos sob as histórias idealizadas, lá estão fielmente representado heróis tipicamente estadunidenses todavia despidos da infantilidade maniqueísta que lhe é notória, há na narrativa seres com poderes, ou não, trajados nos moldes da sociedade dos EUA porém lançados cruamente sobre a pura realidade.

Assim a obra tornou-se clássico misturando problemas filosóficos e éticos aos montes com personagens convincentes que simbolizam esteriótipos clássicos de heróis dos EUA, lá está o super-poderoso, o soturno, o inteligente, o bom moço, a mulher submissa (levado as últimas consequências) entre outros, todos transpostos do mundo irreal das hqs para a realidade humana melancólica e destrutiva, tudo isto em meio ao contexto do pânico gerado pela Guerra Fria, que é pano de fundo da obra.

O único ponto que talvez mereça uma observação negativa sejam os desenhos, não que Dave Gibbons seja um mal desenhista, longe disso, mas sua arte não acompanha o preciosísmo do roteiro. Enquanto Gibbons faz seu trabalho com grande competência Moore leva-o ao patamar do excepcional e os desenhos acabam ficando em segundo plano, tanto que fica a impressão de que a história continuaria muito forte apenas com a escrita, mas de maneira alguma viveria somente dos desenhos pouco ousados.

Nada que possa retirar o brilho de uma das melhores histórias já feitas pelo, talvez, melhor autor que os quadrinhos dos EUA já conheceram.

Ewerton Gonçalves


[4 de 5]

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