14 de maio de 2011

O Guia do Mochileiro das Galáxias (Douglas Adams) - Crítica


Quantos livros bem escritos e com proposta prioritariamente humorística você conhece? É difícil lembrar de obras cuja principal preocupação seja fazer rir, com exceção daquelas coletâneas de piadas e textos de qualidade duvidosa que não se destacam por ter uma história ou narrativas bem construídas. Aliás, em geral, nem se pode chamar de história; a maioria das vezes é mais adequado denominar o contexto como "desculpa" para a introdução da comédia.


"O Guia do Mochileiro das Galáxias" é um dos raros exemplos de livros cujo principal atrativo é o humor, desde o início com a sua ironia da relação íntima entre seres humanos e relógios digitais (eu até explicaria mas perderia toda a graça). A obra conquista justamente pelo seu humor evidente e direto, mas que ao mesmo tempo mantém um leve toque de seriedade e inteligência que distinguem sua qualidade e lhe dão o personalismo.

E é isso que no decorrer da história impressiona mais; a maneira de fazer humor de Douglas Adams tem uma assinatura muito própria, o seu jeito despojado  com rupturas inesperadas e absurdas torna o livro muito engraçado e a leitura agradável. A linguagem simples é outro ponto que deixa a obra democrática, na verdade uma linguagem simples torna-se praticamente essencial em alguns momentos onde o autor faz viagens e saltos ficcionais que só poderiam ter surgido em sua mente quase tão excêntrica quanto criativa.

Chego então ao segundo e último pilar que sustenta a obra; a ficção científica. Adams conhece de ciência mas prefere brincar e se aprofundar nas "nerdices" da ficção, desde os alienígenas aos saltos temporais são explorados ao exagero, sempre ironizando os absurdos e inconsistências aparentes do pensamento científico complexo, que de tão complexo chega a abrir precedentes um tanto loucos, e essas "loucuras" de ciência e ficção são extravasadas para criar as situações cômicas.

Existem alguns problemas de continuidade é verdade, vez por outra você sente que um fato simplesmente foi esquecido ou que um desfecho foi improvisado com intuito de completar ainda que sem convencer. Outra dificuldade da obra é a repetição de algumas piadas que por isso acabam ficando com menos apelo cômico.

Todavia as falhas e imperfeições da obra certamente a impedem de ser um clássico literário mas permitem que o livro que cumpra o que propõe ao ser criativo e divertido garantindo boas horas de uma leitura recreativa de entretenimento que, por mais inesperado que seja, também faz refletir, sobretudo no que tange a mediocridade humana.

Faz 10 anos que Douglas Adams faleceu, mas a sua obra recheada de uma criação tão envolvente quanto engraçada viverão por muito tempo, talvez para sempre. Sem nenhuma dúvida é uma leitura muito boa que pode não agradar a todos mas faz rir a muitos, e eu posso dizer com alegria que sou um destes.

Ewerton Gonçalves

4 de 5 (Muito Bom)

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