11 de maio de 2011

Entrevista - Mônica & Monique Sperandio


Mônica e Monique Sperandio são irmãs gêmeas e promissoras autoras nacionais com suas obras que misturam romance e aventura, mas que, segundo elas próprias, fogem das repetições recorrentes do gênero.


No dia 9 de maio as irmãs responderam as nossas perguntas via e-mail onde as questionamos sobre seu método de escrita, opiniões literárias e claro suas obras incluindo "Sete Vidas", livro que será publicado pela Editora Underworld.

Leia abaixo a entrevista com as simpáticas "Mô" (Mônica) e "Nick" (Monique), como elas próprias se denominam.

Muito obrigado meninas, por terem aceitado o convite do nosso site para esta entrevista. Vocês já tem dois livros escritos , há um amadurecimento no comparativo entre as obras ou apenas tratam de assuntos diferentes?

Nick: Nossa, o prazer é nosso! Obrigada vocês! Sim, claro, sempre há. Percebemos diferenças na linguagem, no modo como a personagem conduz a história, no modo como nós escrevemos e nosso olhar se torna cada vez mais crítico.

: Obrigada vocês pelo convite! Com certeza há um amadurecimento tanto na escrita, como na coerência dos personagens. 


Como é o processo quando se escreve em dupla? Há algum desentendimento entre você duas em o que colocar nas obras?

Nick: O processo é o seguinte: de madrugada, eu sento em frente ao computador e escrevo minha parte (normalmente é um capítulo ou uma cena especifica e, às vezes, dependendo da complexidade da cena,nós duas escrevemos) . Quando eu termino, a Mô lê o que eu escrevi e diz se gostou ou se podemos mudar algo. O bom é que uma já vai corrigindo os errinhos da outra, assim a cena acaba sendo “escrita” duas vezes. 

Mô: Sim, aliás, uma das únicas coisas que fazem a gente brigar é a decisão final da cena. Uma quer uma coisa, e a outra quer algo diferente. Mas sempre acabamos chegando em um acordo que satisfaz as duas.


Normalmente as pessoas falam com vocês em dupla, como eu agora ao chamá-las de "meninas", isso incomoda?

Nick: Não, de forma alguma. Nós mesmos nos vemos como dupla, então porque ao ver dos outros seria diferente? Fique à vontade J

Mô: Claro que não, pode nos chamar de meninas sim! 


Seus livros tem histórias modernas, mas o que vocês acham da literatura clássica?

Nick: Eu até leio, mas prefiro as histórias atuais porque várias se aplicam ao nosso cotidiano, e acabam ajudando a entender nós mesmos. Mas leio sim, principalmente Clarice Diva Lispector, que é uma das minhas escritoras favoritas.

Mô: Também prefiro as atuais, porque não se pode ficar preso só as coisas do passado. Acho que temos que ler coisas contemporâneas também. 


No seu gênero que outros autores nacionais vocês recomendariam como boa literatura?

Nick: Luiza Salazar, Leandro Schulai. 

Mô: Tati Bernardi, A.P. Ribeiro.


Vocês mudam as suas histórias se acharem que elas não farão sucesso?

Nick: Essa é uma pergunta difícil. Para mim, se a história estiver plausível, divertida, profunda, boa, e for algo “publicável”, já está bom demais. Entretanto, não sei se mudaria minha história para fazer sucesso. Acho que o sucesso vem quando o livro tem todas as qualidades que citei acima, ou seja, não é algo que podemos prever. 

Mô: Eu acho que não. Nós sempre tentamos fugir das modinhas literárias, porque já tem uns 40 livros sobre tal assunto. Então para que escrever mais um? Nossa intenção é criar uma história diferente e original e se isso fazer sucesso vai ser porque o livro é bom e não porque o tema está na moda. 


Sempre pergunto isso, mas o que alguém deve fazer para publicar um livro no Brasil?

Nick: Deve acreditar com toda a alma, para começo de conversa. O livro também precisa estar bem lapidado para ser enviado a alguma editora. Daí depende de que tipo de publicação o escritor deseja: se é pago ou gratuito. Quando se paga pela publicação é um pouco mais fácil para a editora aceitar, mas quando é gratuito, o autor tem que se esforçar muito para encontrar uma editora boa que se encaixe nas suas preferências. 

Mô: Sempre lutar com todas as garras para deixar o livro super revisado. Revise até não poder mais, até estar satisfeito com todas as cenas. O mais importante no caminho para ser um escritor publicado é não desistir nunca. Pode ser que demore um pouco, mas se você acreditar com todo o seu coração que seu livro pode ser publicado, vai acabar dando certo. 


Em que medida vocês acham que a internet é importante para a divulgação?

Nick: Acho que a Internet é o motivo de os leitores terem crescido tanto ultimamente. Ela é fundamental para a divulgação do livro, e para ter o feedback dos leitores. Realmente não sei como os escritores do passado sobreviveram sem ela haha.

Mô: Acho que é de extrema importância. Os blogs tem apoiado muito os escritores nacionais e isso tem ajudado muito na divulgação dos livros. 


O que é inspirador para vocês?

Nick: Sair à noite, escutar música alta dentro do carro com as janelas abertas, viajar, ver um filme/seriado bom, ler um livro bom, ouvir fofocas das amigas. Em geral, a vida me inspira.

Mô: Viver, escutar musica alta com as amigas, escutar histórias de outras pessoas e se arriscar. As melhores histórias vem de quando nós nos arriscamos. 


Escrever é vocação ou alguém suficientemente esforçado pode conseguir ser um bom escritor?

Nick: É claro que pode. Mas há algumas contradições, diferenças entre esforço e vocação. Quem tem a vocação de escrever, normalmente, não desiste, porque precisa da escrita para se sentir vivo, sentir que está fazendo alguma diferença no mundo – bem, pelo menos esse é o meu motivo. Acho que o esforço é uma das qualidades que mais aprecio, entretanto, se a pessoa for esforçada, mas não gostar de escrever, posteriormente irá desistir uma hora ou outra, mas acredito que seja possível sim ser um escritor. 

Mô: Escrever é uma habilidade. Se você se esforçar bastante, ler muitos livros e escrever o Maximo que puder sua escrita vai ficando melhor. Claro, tem a parte do dom, da sensação que a escrita preenche a sua alma. Mas não adianta nada tem a sensação e não fazer nada para melhorar a escrita. 


O que há de novo e próprio na obra de vocês?

Nick: A ideia, acredito. Nós só queríamos sair dessa onda de vampiro, anjo, bad-boy, amor proibido e coisa do tipo. 

Mô: E nós sempre tivemos um fascínio pelo Egito, então decidimos unir o útil ao agradável, tentando criar algo original e divertido. 


Como vocês lidam com críticas, sejam elas positivas ou negativas?

Nick: Bom, ainda não recebemos muitas críticas, já que o livro ainda não saiu. Mas algumas pessoas já vieram dar algumas dicas sobre as primeiras impressões que tiveram dos primeiros capítulos que a editora recentemente liberou, e essas, sim, foram críticas construtivas, que nos deram vários toques e nos ajudaram. 

Mô: Acho que o grande truque é saber diferenciar as críticas construtivas das destrutivas, pois, assim como há muita gente tentando nos ajudar, há muita gente querendo nos desmotivar e nos colocar para baixo. O negócio é nunca se render e estar pronto para tudo.


Literatura é apenas um entretenimento?

Nick: Para muitos acredito que deve ser, mas não para nós. A literatura salvou nossa vida, nos deu esperança; ela nos transformou no que somos hoje. 

Mô: De forma alguma. Para mim, literatura é um estilo de vida. Já aprendi tantas coisas com as histórias que leio que perdi a conta já. 


Quais as grandes diferenças entre a Mônica e a Monique?

Nick: Eu sou canhota e a Mô é destra.

Mô: Eu sou viciada em Pepsi e a Nick em Coca.


Nossa pergunta obrigatória: Por que Ler Literatura?

Nick: Para não sermos cadáveres ambulantes. Para termos uma profundidade em nós mesmos, para entender melhor o mundo e aprender a lidar com várias situações. Sem falar que a literatura nos dá uma visão diferente do mundo. 

Mô: Porque a literatura abre a cabeça das pessoas, nos faz enxergar coisas que estavam embaixo do nosso nariz o tempo todo. Nos dá realmente valiosas lições. 


Agradeço muito meninas pela conversa, para encerrar falem um pouco do novo livro e outros novos projetos e aproveitem para deixar os endereços onde nossos leitores podem encontrá-las.

Nick: Nossa, eu que agradeço! Adorei as perguntas! Bom, ainda não podemos dizer muito porque nem mandamos pra editora, e só vamos começar a revisá-lo semana que vem. O que posso dizer é que é uma ideia nunca vista antes, e que esse livro é o mais pessoal de todos, e o mais difícil a ser escrito até agora. Chorei quando terminei de escrevê-lo, porque parecia que eu estava dizendo adeus a mim mesma. Pobre Mô, que teve que me reconfortar às seis da manhã haha.

Mô: Foi um prazer! Acho que a Nick já falou tudo! Até a próxima :D

Leia mais sobre o livro "Sete Vidas" clicando aqui.

Imagem: Montagem Sobre Fotos do Skoob

Um comentário:

  1. Adorei a entrevista com a Mônica e a Monique :)
    Espero que o livro lance logo! Estou super curiosa! A capa também é linda *-*

    Parabéns!!!

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