6 de maio de 2011

Alice no País das Maravilhas (Lewis Carroll) - Crítica


"Alice no País das Maravilhas" possui uma história bem diferente de O Pequeno Príncipe, porém as duas guardam similaridade consistente. Ambas são obras teoricamente destinadas ao público infantil todavia são clássicos tão bem escritos e possuidores de tanto conteúdo, até inacessível ao público mais jovem às vezes, que transcendem facilmente os limites de faixa etária.

Alice é uma menina curiosa, em todos os aspectos positivos da palavra, como as crianças da sua idade, num dia ela persegue um coelho que inexplicavelmente usa colete e está atrasado para algum compromisso, compromisso esse que ela ignora qual seja, até que o animal salta por uma toca e a menina o acompanha, a partir daí surge uma narrativa que surpreende pela excentricidade, humor, inteligência e, de modo geral, diversão.

Como a obra tem a intenção de ser lida por leitores jovens a linguagem é simples e acompanhada de ilustrações, todavia a narrativa está muito longe de ser pueril, toda ela é repleta de diálogos profundos e eles são os principais representantes da genialidade do escrito.

As conversações transmitem toda a postura crítica de Carroll, nelas podemos identificar filosofia, por exemplo, passando por noção de identidade e reflexões sobre a significação da linguagem. A crítica social também não pode ser esquecida, as figuras do sistema monárquico hora se apresentam como sádicos com compulsão por decaptação, no caso da rainha de copas, ou mesmo na encarnação pura da indolência, na personalidade do submisso esposo da rainha; o rei de mesmo naipe.

Matemática também se faz presente, cálculos mesclados com enfoque sobretudo no raciocínio lógico conduzem vários dos diálogos que encantam pela despretensão, é sempre divertido ver a jovem Alice confusa em meio as perguntas e questionamentos prosaicos dos personagens excêntricos que habitam o país das maravilhas. No entanto o grande constrangimento é a complexidade dos dilemas que partem de pressupostos que não possuem qualquer complexidade.

A obra se desenvolve assim, com um desenrolar de personalidades envolventes e fascinantes que surgem a medida que Alice se aventura na busca de voltar ao seu mundo e de sobreviver aos constantes problemas típicos  deste universo onde o surrealismo impera e a lógica convencional em várias de suas normas e preceitos mais rudimentares é contestada.

Inovador, inteligente e surpreendente "Alice no País das Maravilhas" diverte de maneira natural ao mesmo tempo que contesta e critica, tudo de maneira leve e extremamente agradável, sem dúvida nenhuma é um livro que alcançou aquilo que se propôs com brilhantismo que se mostra ainda mais digno de salvas diante da ousadia da proposta.


[5 de 5]

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