14 de março de 2011

O Mundo de Sofia - Crítica

(foto:skoob.com.br)
Quando alguém menciona o nome filosofia para muitos está pronunciando um sinônimo de incompreensível, de algo que só mentes privilegiadas podem entender e que está completamente ausente da realidade prática. Uns dias atrás aliás eu estava assistindo um seriado onde um personagem considerado idiota escolhia cursar filosofia, e a piada era apenas isto (não tem muita graça, mas o seriado é ruim mesmo).

O Problema é que a maioria dos filósofos verdadeiramente não são simples, e eles escrevem voltando-se para outras pessoas que já estão acostumadas a estas reflexões, não precisa ser gênio para constatar que isso é o oposto daquilo que pode ser chamado de popular . Todavia sempre existem aqueles, poucos é verdade mas existem, dispostos a mostrar a filosofia em sua simplicidade e atrair novas mentes dispostas enveredar pelos questionamentos existenciais tão caros a este estudo.

É exatamente isto que Jostein Gaarder faz com rara competência em "O Mundo de Sofia", ele que não é lá um grande filósofo (ou nem mesmo é filósofo) preocupou-se em demonstrar os aspectos filosóficos que estão impregnados no cotidiano, para tanto sua personagem principal vê-se diante das grandes perguntas existenciais que interrogam o que nós somos, passam pela indagação acerca de qual é a nossa origem e terminam na questão sobre o desfecho de nossa existência.

O Livro de Gaarder, no entanto, obtêm sucesso ao misturar o aprendizado filosófico com uma história de suspense envolvente que prende o leitor ao desejar ver os mistérios da trama revelados, mas engana-se quem pensa que no livro a filosofia seria então a parte chata mas necessária para compreender a história, mesmo que a obra cite resumidamente quase toda tradição da filosofia ocidental tudo é sempre adequadamente costurado ao suspense, tornando a abordagem pedagógica e a de entretenimento mutuamente dependentes.

Não que a junção seja perfeita, percebe-se claramente quando o assunto é aprender filosofia básica e quando é tempo de acompanhar as desventuras de Sofia, contudo não chega a ser um prejuízo, pois as abordagens preocupam-se em ser prioritariamente atrativas.

Nisto podemos concluir que "O Mundo de Sofia" é obviamente simples demais, quem já sentiu a angústia da indagação mas nunca se aprofundou em pensamentos filosóficos deve apreciar bastante a obra, quem já está habituado à filosofia e leu livros de temática mais profunda e complexa provavelmente não irá gostar do livro, simples assim.

É este basicamente o propósito de "O Mundo de Sofia", ser um livro que divulgue filosofia e ao mesmo tempo faça sucesso, quem lê acaba se interessando e mais tarde, com outros livros, descobre que o buraco é bem mais embaixo do que é descrito na obra, mas aí o livro já fez o seu papel, ser a transição entre o leitor que até então apenas se preocupa em entretenimento para aquele que trata a leitura como ferramenta do pensamento, o que por muitas vezes é bem menos prazeroso e bem mais exigente, mas que mesmo assim tem suas compensações.

Talvez sem "O Mundo de Sofia" muitos bons filósofos de hoje em dia nunca tivessem tido interesse em escolher esta profissão, isso mostra o quão distantes da realidade popular estão nossas instituições de ensino e nossos formadores de opinião, eles estão tão acomodados em tratar daquilo que é de seu interesse que o o papel fundamental de popularizar o conhecimento acaba ficando nas mãos de pessoas como Gaarder, que apesar de ser um pensador e apreciador nunca foi especialista no assunto.



Ewerton Gonçalves

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