25 de fevereiro de 2011

Luzia-Homem - Crítica

(foto:coladaweb.com)

Luzia-homem, do autor Domingos Olímpio, é um retrato de rara fidelidade da estética naturalista, lá estão presentes absolutamente todos os traços primordiais que fizeram o reconhecimento deste estilo literário.

A Luzia-Homem ,que dá título a obra, é uma trabalhadora cearense pobre que vive de cuidar da mãe, que possui uma doença permanente, e é pré-conceitualizada por manter-se distante dos demais, esses demais que sempre a mencionam com comentários jocosos e negativos. A alcunha de "Homem" vem do fato de ela possuir uma força que alguns momentos até aparenta ser sobre humana, e também por não ter grande familiaridade com tarefas atribuídas tradicionalmente ao sexo feminino

Ela só estabelece relações mais próxima com 3 pessoas além de sua mãe, um vaqueiro que ajudou anteriomemente salvando-lhe a vida por meio de sua força, Alexandre que é um amigo do trabalho e que conserva um amor oculto (na verdade nem tão oculto assim) por ela e Teresinha que surge posteriormente.


A História então vai tratar da vida difícil de todos, sempre ressaltando os aspectos mais negativos da condição humana, condição esta que em praticamente toda a obra parece não diferir da condição animal. As descrições do cotidiano de sofrimento e da mediocridade das pessoas é clara e extreamamente honesta em seu pessimismo. O determinismo suplanta toda a iniciativa libertária e consciência racional, e quando não cria seres humanos desonestos e sem caráter faz surgir outros tantos fracos e desesperançados que vivem apenas pela sobrevivência e credulidade.

O ápice dramático da história, excetuando-se o final, que se desenvolve sem grandes fatos cativantes é a prisão de Alexandre incriminado pelo desonesto soldado Crapiúna que também tem uma paixão por Luzia e por isso arma uma cilada para seu rival.

Todavia, a grande qualidade do livro não está na superação de um amor que vence as dificuldades (apesar de isso ocorrer até certo ponto) e sim na descrição realista que apresenta o ser humano mostrando os seus piores instintos, as personagens que condenam Alexandre e Luzia quando este é acusado dizem já suspeitar a muito de golpe quando sua inocência é posteriormente provada.

E assim segue a história de todo o livro, desesperança, antipatia e pena pelas personagens que vagam em meios as páginas são os sentimentos sentidos pelo leitor, afinal o vazio das personalidades superficiais é evidentemente proposital e competente.

A obra consegue portanto ser um exemplo muito bem realizado de um estilo de literário difícil não pela linguagem, mas sim por não ter grandes alívios de otimismo e esperança, afinal naturalismo é isto mesmo, a frieza dura da realidade com alguns enlaces amorosos que dificilmente terminam bem.

Domingos Olímpio só não é melhor ao ser comparado com mestres como Aluísio Azevedo. A impressão é que Azevedo consegue expandir e tratar de várias facetas da mediocridade humana enquanto Olímpio fica limitado apenas em algumas que ele vai repetindo conforme a história avança, além disso a descrição narrativa do primeiro se mostra mais completa e detalhada, fazendo com que o leitor consiga se imbuir ainda mais no espírito de desilução naturalista em obras como "O Cortiço"

Mas, mesmo que não seja a melhor obra do Gênero "Luzia-Homem" o executa com rara habilidade e inquestionável competência, numa história pequena mas honesta sobre o humano em sua fraqueza e apatia .





Ewerton Gonçalves

10 comentários:

  1. Já li, não é muito meu estilo mas é bom mesmo

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  2. Li esses dias e gostei bastante, o final me chocou... Ingenuidade minha achar que em uma obra naturalista haveria final feliz.

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  3. kkk É verdade Ana, mas até eu que já esperava pelo desfecho negativo me surpreendi também.

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